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"Renascem no país a esperança, a auto-estima e a confiança num futuro seguro que garanta bem-estar e prosperidade para os angolanos."

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das poesias

 

 

 

 

 

 
 

Canção Mínima

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta


"Hoje, que seja esta ou aquela,
/pouco me importa"
(fotografia de quadro de Pablo Picasso)

 

 

 

Noções

Entre mim e mim, há vastidões
bastantes
para a navegação dos meus desejos
afligidos.

Descem pela água minhas naves
revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e
investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto
à correnteza,
só recolho o gosto infinito das
respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria
existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por
mares contraditórios,
e este abandono para além da
felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este
corpo efémero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a
areia passiva e
inúmera...

 
 

Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projecto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

 

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


"Eu canto porque o instante existe/
e a minha vida está completa./
Não sou alegre nem sou triste:/sou poeta
"
(fotografia de quadro de Joan Miró)

 
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ABRIL/MAIO 2007
 
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