| Discurso
E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento
e da
água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do
meu caminho
e não vi nada, porque as ervas
cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação
de
uma trajectória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido
me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém
gostar de mim?
|
Fio
No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.
Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.
Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...
- Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração? |