África
do Sul
A Urbanova na África do Sul é
uma empresa jovem: "Estamos há praticamente dois anos
no país. A catedral da IURD, no Soweto, é a nossa
primeira grande obra, com mais de 30 mil metros quadrados de construção.
Trata-se da maior catedral desta igreja em África",
diz Márcio Origa.
Inquirido sobre os motivos que levaram
a Urbanova a entrar no mercado sul-africano, Origa explicou: "A
Urbanova da África do Sul é uma empresa com maioria
de capital angolano, integrada com um sócio local. Isso pode
parecer muito estranho. É como se nós estivéssemos
na contra-mão - enquanto empresas sul-africanas estão
a vir construir em Angola, nós somos uma construir na África
do Sul. Muitas vezes nos colocam essa questão, que é
realmente curiosa, dado a África do Sul ser o país
que é, estar no estágio de desenvolvimento que está.
Mas, a nossa presença na África do Sul é apenas
o reflexo de uma muito boa relação com um nosso cliente
de há já alguns anos que, satisfeito com o nosso trabalho,
nos convidou a executar uma obra. E aí, houve uma evolução
natural da satisfação do cliente com o nosso trabalho
e hoje podemos dizer que se existem empresas sul-africanas a construir
em Angola, também temos empresas angolanas a construir na
África do Sul".
As histórias de Angola e África
do Sul não coincidem em factos, em causas ou efeitos. São
países de características bastante diferentes e, por
isso, a acção da Urbanova na África do Sul
difere por completo. "Esse é um país que está
a andar com grande velocidade, o progresso vem de longa data. Agora,
sobretudo face ao facto de ser aquele país a sede da próxima
Copa do Mundo de Futebol, em 2010, vê-se grande movimento
nas cidades", diz Márcio Origa.
Manoel Hollanda, director de Empresa
da Urbanova África do Sul, acompanha, desde Julho de 2006
(quando substituiu um colega que regressou ao Brasil), as obras
em execução da empresa e dá seu testemunho:
"Estamos na África do Sul e temos que entender que este
país tem suas características próprias, seu
sistema, seus valores. Um dos primeiros desafios na execução
desta obra foi justamente fazer entender ao cliente, brasileiro,
que estávamos sob a tutela de outra realidade, equidistante
da do Brasil. Isso ultrapassado, tivemos que vencer a etapa relacionada
à qualificação da mão-de-obra. E, para
efeito de execução propriamente dita da obra, essa
foi a maior dificuldade".
O engenheiro civil, brasileiro da cidade
do Recife que trabalhou durante cinco anos em Angola, explica: "Na
África do Sul, encontramos diferenças fundamentais
na relação laboral, da empresa com os funcionários
em comparação com o Brasil e com Angola. Os quadros
são permanentes ou, melhor explicando, os profissionais vão
se capacitando ao longo do tempo, permanecem e crescem com a empresa.
Lá se mantém durante anos. Isso significa que, para
uma empresa como a Urbanova, que recentemente chegou a este país,
tivemos que vencer a dificuldade de encontrar mão-de-obra
qualificada. Não tínhamos essa mão-de-obra
disponível e não é fácil atrair ou recrutar
esses profissionais qualificados, porque já estão
empregadas e não saem facilmente de seus postos. O que conta
não é apenas o salário, mas a garantia da estabilidade
em termos de tempo, de segurança etc".
Em função da dificuldade
de encontrar mão-de-obra mais qualificada, a Urbanova deslocou
profissionais brasileiros como pedreiros e artesãos para
dar prosseguimento à obra. "Temos até hoje pedreiros
brasileiros a trabalhar connosco", diz Manoel Hollanda.
Segundo o director de Empresa, outro
obstáculo encontrado com os profissionais esteve associado
ao local da obra: "As pessoas mais capacitadas se negam ou
se negaram a trabalhar no Soweto. Ainda há algum pré-conceito,
muitas vezes medo, porque os resquícios do apartheid ainda
são muito fortes. Existe uma barreira virtual que separa
a população. Há fornecedores que não
fazem entrega de material no Soweto, há pessoas que não
aceitam trabalhar lá. Então, essa é outra dificuldade.
Aí, de qual mão-de-obra dispomos? Praticamente mente,
da mão-de-obra local, do próprio Soweto, que, infelizmente,
dada a falta de oportunidade para aprender, dada a história
que viveram, é uma mão-de-obra não qualificada".
A Urbanova, que entregou a nave da catedral
a 15 de Abril, assumiu as obras na fase de conclusão da estrutura
de concreto. Esta já havia sido iniciada, mas foi delegada
à empresa angolana que se encarregou das fases seguintes.
A segunda fase da obra, após a estrutura, era a de acabamentos.
Começou em Abril de 2006 e havia um prazo para ser concluída
a 31 de Março. Mas, como haviam serviços contratados
directamente pelo cliente antes da chegada da Urbanova, como o caso
de toda a estrutura metálica, da cobertura, da arquibancada
e do auditório e houve atraso na montagem, o prazo de entrega
foi dilatado para Julho. "De Novembro para cá, o cliente
manifestou o desejo de diminuir o prazo estimado para entrega, mas
era impossível. Chegamos a apresentar um estudo, com os custos
inerentes para uma possível antecipação, subcontratando
outros serviços, mas o cliente não aprovou o orçamento.
Então, fizemos outro estudo, perspectivando a possibilidade
de entrega para Março. Acabamos a 15 de Abril e a inauguração
aconteceu a 22 do mesmo mês", narra o Engenheiro.
Indagado sobre a experiência
de trabalhar num local de tradição negra, Manoel Hollanda
assim respondeu: "Não senti absolutamente nenhuma diferença.
É curioso isso. Como não temos esse pré-conceito,
não vivenciamos o apartheid, nunca senti nenhum constrangimento.
Pelo contrário. Todos os dias, saímos da obra quando
já está bem escuro e nunca presenciamos nenhuma violência
na área. A vizinhança nunca interferiu em nada. Mas,
ao contrário, encontramos resistência nos nossos próprios
colaboradores locais. Houve uma resistência séria na
chegada dos brasileiros. O argumento principal era: 'será
que na África do Sul não há profissionais capazes
de fazer esta obra?' Isso, felizmente, foi ultrapassado e eles até
mesmo reconheceram que a mão-de-obra brasileira era de longe
mais qualificada e importante no contexto e só tinham a ganhar
com sua presença. A prova disso é que depois do final
do ano, a equipa de brasileiros retornou e foi bem aceite".
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| Manoel
Hollanda, director de empresa |
Fundos
da catedral, Soweto |
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