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Para ler e baixar as
poesias de Cecília Meirelles

 

"Renascem no país a esperança, a auto-estima e a confiança num futuro seguro que garanta bem-estar e prosperidade para os angolanos."

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ACVRD pagou quanto pela concessão?
Ao ganhar a concorrência, pagou 120 milhões de dólares, mas não para ganhar a concessão. A avaliação tinha uma proposta técnica, uma proposta comercial e outra financeira.

A Vale do Rio Doce ganhou logo na parte técnica e comercial. A proposta financeira só foi aberta depois da Vale ter sido declarada vencedora.

Onde termina sua acção neste projecto?
A minha acção acaba quando começar a implementação do projecto. Quando já houver a ferrovia, o porto e a concessão final da mina. Até agora, há uma concessão provisória de pesquisa. Deve começar em Maio ou Junho a implementação. Aí meu contrato com a Vale termina.

Se bem que hoje em dia minha acção neste projecto já é quase exígua.

Tenho outros contratos com a Vale do Rio Doce, para Moçambique, e estou procurando outros projectos também na Tanzânia, relacionados a minério de ferro, carvão, diamantes e ouro.

Passaram-se, então, mais de duas décadas em Moçambique. Hoje, além de Moatize, há outros grandes projectos?
Através da minha empresa, a Zinnia Developments, especializada em consultoria para projectos em Moçambique, tenho um contrato com a também brasileira Camargo Correa para a construção de uma hidreléctrica abaixo de Cabora Bassa, chamada Mpanda-Unkua. É uma barragem, cerca de 60 km abaixo de Cabora Bassa, cuja fase 1 gerará 1300 megawatts de energia.

A Camargo Correa está acabando os estudos. Trata-se de um grande projecto. Este contrato vai a 2 biliões de dólares. É uma parceria entre a Camargo Correa, uma empresa privada moçambicana, chamada Energia Capital, e a EDM - Energia de Moçambique. Existem outros projetos em fase de prospecção e negociação,porém ainda não está definido a quem vou apresentá-los.

E fora de Moçambique?
Ao longo desse tempo, trabalhei em projectos na Tanzânia relacionados a estradas, casas populares, prédios; em Angola, numa obra no Porto de Luanda; no Quénia, foram estradas; em Moçambique há vários estudos para uma empresa chamada Kaiser Engenharia.

Houve uma série de projectos de médio e pequeno porte nestes países onde estive. Não devo deixar de mencionar que trabalhei na República Democrática do Congo.

Em que período?
No tempo do Mobutu, não cheguei a ir ao Zaire. Aquele é um país de imensas riquezas naturais, que provoca interesses que desencadeiam guerras.

Entre os anos de 1996 e 1997, apareceu a oportunidade de lá ir. Conheci muito bem Yoweri Museveni, Presidente do Uganda então, que era quem financiava o Kabila.

Quando Kabila estava para entrar em Kinshasa, fui alertado pelo meu amigo Museveni. Fui para Kampala a aguardar as condições apropriadas para ir para Kinshasa e encontrar o Kabila. Isso de facto aconteceu. Três dias depois do Kabila entrar em Kinshasa, fui falar com ele.

Começamos a negociar uma mina de cobre imensa ao sul do país. Eu representava interesses sul-africanos então. Assinamos o contrato, mas naquela época, a empresa foi convocada a doar algo em torno de 2 milhões de dólares para partido em uniformes, em comida etc.

Como era uma mina que já existia antes, ninguém teve que pagar nada pela concessão de exploração. Assim, nada mais normal do que dar uma contribuição para o partido. Mas, poucos dias depois, o Kabila trocou o Ministro. Aí, história mudou: fomos chamados para recomeçar as negociações. Do valor de 2, passou para 5, de 5 para 7, para 15... quando chegou a 50%, a empresa sul-africana disse que esquecêssemos aquele projecto porque não havia mina no mundo que valesse aquele preço. Foram quase três anos de negociações, tempo este dividido em cerca de cinco ou seis etapas de negociações.

Foi o único projecto na República Democratica do Congo. Custou-me muito dinheiro e tempo.

A Zinnia possui relações comerciais com a construtora brasileira Odebrecht?
A Odebrecht voltou agora para Moçambique, está apostando de novo no país, com projectos relacionados ao da CVRD. Há, entre eles, a construção de um porto, para o qual a Vale realizar uma concorrência. E há as obras da própria mina, que são muitas.

Estou conversando com a Odebrecht para ver outros potenciais projectos.

O senhor vem de uma família tradicional brasileira, reconhecida pela presença nos meios diplomáticos. Nunca pretendeu seguir carreira junto ao Itamaraty (palácio sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil)?
Nasci no Rio de Janeiro, filho de pai diplomata, avô diplomata, bisavô e tataravô diplomatas. Sai do Brasil ainda ao colo e só retornei em 1968, por causa da Universidade. Estudei no Suriname, na Argentina, Bélgica, Portugal e África do Sul, onde terminei os estudos médios.

Voltei ao Brasil, ingressei na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, para estudar Direito.

Meu primeiro emprego foi no Banco de Boston, como estagiário. Depois, trabalhei no Banco Real do Canadá, no Banco Internacional, um banco de investimentos e pensei que aquela vida não era a que gostaria para mim.

Foi aí que fui convidado pela Transcon-Cetenco para ir para a Nigéria.

Meu pai, Paulo Rio Branco, foi Embaixador do Brasil em vários países. À sua época, haviam três Rio Branco no Itamaraty: meu pai; Miguel Rio Branco, primo-irmão dele; e João Paulo Rio Branco, outro primo-irmão, seguindo uma tradição familiar. Os três entraram para a carreira diplomática sem concurso. O então Presidente Getúlio Vargas havia baixado um decreto dizendo que os descendentes directos do Barão poderiam entrar sem passar pela selecção através de concurso. Esse decreto foi revogado logo depois.

O senhor optou por outro caminho.
Ingressei no curso de Direito visando uma provável carreira diplomática. Mas, quando cheguei ao terceiro ano do curso, entendi que não era algo apropriado para mim. Fiz uma vez a prova do Itamaraty, mas não passei em português. Passei em todas as demais provas - inglês, francês, conhecimentos gerais.

Não me arrependo porque não queria aquela vida para mim. Sou independente, gosto de fazer o que quero.

Sou bacharel de Direito, sem nunca ter me registado na Ordem dos Advogados do Brasil. Mas, no meu trabalho, esses conhecimentos adquiridos, essa base de Direito têm me ajudado muito.

Considerando o que narrou, sua actividade é de alto risco.
Sim. De cada dez projectos, diria que um vinga.

A exemplo, já estive envolvido num projecto agrícola de irrigação em Moçambique, próximo a Maputo, durante a guerra. Foram feitos estudos, assinou-se o contrato e o governo do Kuwait iria ser o financiador.

O governo do Kuwait assinou o financiamento, como era esperado, mas foi quando Saddam Hussein tomou a região. Tudo pode acontecer. A política influi directamente. Assim, perdemos aquele projecto.

Ao longo dos anos, aprendemos e desenvolvemos uma espécie de sexto sentido e não entramos em qualquer negócio. A princípio, quando se é jovem, tudo vale o risco. Foi o caso do processo de Moatize.

Os meus contratos, normalmente, não conhecem adiantamentos de valores, a minha própria empresa os financia. Pode levar um, dois, cinco anos. Este de Moatize levou quase 20.

Valeu a pena?
Sim. Se se pegar apenas no projecto do carvão de Moatize, não valeu, por causa do tempo despendido. Mas, se se pensar em todos os outros que vieram na sequência dos relacionamentos que havia, dos que foram estabelecidos, das amizades que fiz, aí, sim, valeu.

Para se ter uma ideia, quando a Vale assinou o contrato, em 2004, nem um mês depois o Primeiro-Ministro da Namíbia me ligou, o Presidente da Tanzânia também o fez, assim como o Vice-Presidente daquele país. Todos a dizer que esperavam que empresas do porte da Vale do Rio Doce fossem levadas por mim para estes países.

Em termos de relacionamento, o meu nome é automaticamente associado à viabilização deste projecto ao longo deste tempo.

Não foi nada fácil. Tudo foi com muita luta.

Mas, tenho a dizer que adoro o que faço. Não faria outra coisa. Sou um homem realizado.

Trabalhei quase minha vida toda em África. Os meus conhecimentos estão todos aqui e não conheço rotina - nenhum dia é igual ao outro, os problemas ou os desafios são diferentes a cada dia, as pessoas são diferentes, os contratos são diferentes.

Os negócios estão todos aí. O segredo dos negócios é saber resolver os problemas. E para resolver é preciso conhecer a cultura local, as pessoas envolvidas, os valores, e sobretudo ter amigos verdadeiros. Há que conhecer as partes.

Meu trabalho é minha vida.

Ministro Castigo Langa e Roger Agnelli, director-presidente da
CVRD, com o famoso cheque de 122,8 milhões de dólares

 
"O General me pediu para telefonar-lhe às 5h
da manhã. Ele estaria na Base Militar de Pretória,
dentro do avião"
 
 
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ABRIL/MAIO 2007
 
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