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Dia da PAZ
A 4 de Abril, Angola comemorou o Dia da Paz e Reconciliação
Nacional, resultante do Memorando de Entendimento do Luena, como
complemento ao Protocolo de Lusaka, de que são signatários
o Governo de Angola e a UNITAl
Com imagens de Rivelino Mourão/Eurobrape
Várias
manifestações foram organizadas para marcar o quinto
aniversário do acordo de paz em Angola. Assinado no dia 4
de Abril de 2002 entre as forças governamentais e os rebeldes
da Unita, após a morte do líder rebelde Jonas Savimbi.
O acordo pôs fim a 27 anos de um conflito que fez quase 500
mil mortos e destruiu as principais infra-estruturas do país
africano. Cinco anos depois, a paz é uma realidade e Angola
progride. O país cresceu 17,6 por cento em 2006, um recorde,
e se transforma em modelo para o continente.
Passaram-se cinco anos da assinatura
do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka,
documento que marcou o fim da guerra de 27 anos vivida em Angola.
A 4 de Abril de 2002, deu-se a assinatura pelos Chefes dos Estados
Maior General das Forças Armadas Angolanas, General Armando
da Cruz Neto, e o do então Alto Comando das Forças
Militares da UNITA, Geraldo Abreu Muengo "Kamorteiro",
numa cerimónia assistida pelo Presidente da República
de Angola, José Eduardo dos Santos, por representantes da
comunidade internacional e entidades nacionais e estrangeiras. Antes
da assinatura deste documento, as negociações para
o fim da guerra pareciam ter chegado a bom termo quando, em Lusaka,
Zâmbia, a 20 de Novembro de 1994, foi assinado o Protocolo
de Lusaka, o qual não foi implementado na sua totalidade
pela UNITA de Jonas Savimbi, e o país permaneceu em guerra.
A paz só foi possível
após a morte em combate de Jonas Savimbi, o lendário
rebelde angolano, contra as tropas do Exército em Fevereiro
de 2002. Líder da Unita (União para a Independência
Total de Angola), Savimbi lutou durante 27 anos contra as forças
do MPLA (Movimento para Libertação de Angola). Angola
alcançou a independência de Portugal após a
Revolução dos Cravos, que marcou o fim do salazarismo.
Em 1975, Agostinho Neto, líder do MPLA, de orientação
marxista, foi então proclamado Presidente. Mas a Unita, uma
organização anticomunista, apoiada pelos EUA e pela
África do Sul, não reconheceu o novo governo e recorreu
às armas. Com a morte de Agostinho Neto, em 1979, e a ascensão
de José Eduardo dos Santos, foram realizadas algumas tentativas
de paz. Mas Savimbi se recusava a depor as armas, e a guerra não
cessou. Em 1992, como parte de um acordo de paz, foram realizadas
eleições presidenciais e estas reconduziram o líder
do MPLA ao poder. Savimbi não reconheceu a vitória
e retomou a luta armada. Com o Acordo de Luzaka, em 1994, houve
mais um esforço de pôr fim aos conflitos. Além
da desmobilização das tropas, estabeleceu-se a formação
de um Governo de Unidade e Reconcilia ção Nacional
(chamado de GURN), que tomou posse em 1997. Savimbi, mesmo nomeado
vicepresidente, negou-se a entregar as áreas de exploração
de diamantes que estavam sob seu controle e os combates foram reiniciados.O
desaparecimento de Savimbi tornou-se um marco histórico para
Angola. Após sua morte, representantes do governo e rebeldes
da Unita, reunidos em Luanda, assinaram um acordo para integrar
seus soldados ao Exército. O armistício pôs
fim a uma guerra civil de quase 30 anos, que resultou na morte de
mais de 500 mil pessoas.
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Cessar-fogo
O acordo de cessar-fogo assinado pelo
Exército e a guerrilha da União Nacional para a Independência
Total de Angola (Unita) foi ratificado na na capital Luanda. O pacto,
assinado por representantes dos dois grupos em Luena, capital da
província de Moxico, foi validado na presença do Presidente
José Eduardo dos Santos e do então secretário-geral
da Unita, Paulo Lukamba "Gato". Lukamba ocupava o terceiro
posto de liderança do grupo até que Jonas Savimbi
e Antonio Dembo, presidente e vice-presidente da Unita, respectivamente,
foram mortos no dia 22 de Fevereiro por tropas do Exército
angolano. No acto, também estiveram presentes Ibrahim Gambari,
conselheiro especial do secretário-geral das Nações
Unidas, Khofi Annan, para a África e representantes dos EUA,
Portugal, Rússia, Gabão e Nigéria, assim como
da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional
(SADC), integrada por quatorze países do sul do continente.
O documento preliminar, que segundo observadores "foi o primeiro
passo sério dado em quase uma década na direcção
de uma paz duradoura" em Angola, foi assinado pelo segundo
comandante do Estado Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA),
general Geraldo Nunda, e por seu colega da Unita, Abreu Muengo Ucuatchitembo
"Kamorteiro". O Governo deu prioridade à aprovação
de um projecto de lei de amnistia geral que amparava civis e milicianos
que serviram à Unita. O acordo de cessar-fogo estabeleceu
um calendário para o acantonamento de cerca de 17 mil milicianos
em diferentes pontos do país e a reinserção
de cerca de 33 mil familiares de combatentes na sociedade. O memorando,
que incluiu também o cancelamento das sanções
impostas pelas Nações Unidas aos membros da Unita,
retomou o Acordo de Lusaka. Exceto por curtos períodos de
paz, a Unita lutou contra o governo de Angola desde que o país
conquistou a independência de Portugal, em 1975.
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