| Profundos contrastes
A completar o 60º aniversário
da República Popular a 1 de Outubro, a China busca economia limpa
com mudanças em modelo
de desenvolvimento. O grande
desafio reside na desigualdade social,
um dos grandes problemas
a serem enfrentados pelo país
Tereza Cruvinel, enviada especial da Agência Brasil
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Pequim: o país rompeu
com os métodos
e com a política de Mao
Tsé Tung a partir
de sua morte, mas preserva
a mística
Fotos: Divulgação/EBC
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Com uma economia vigorosa que não se abalou com a crise internacional de 2008 e preservou intocado o modelo político implantado com a Revolução Comunista de 1949, a China celebra, com festa apoteótica, os 60 anos de fundação de sua República Popular. Os preparativos ocuparam o governo chinês há alguns meses e nas últimas semanas a Praça da Paz Celestial, a Tinamem, já estava cheia, pela manhã, de chineses em visita ao Mausoléu de Mao Tsé Tung.
Diferentemente dos russos, que com suas escaramuças internas chegaram a banir Trotsky e outros “caídos” das fotografias oficiais, a China rompeu com os métodos e com a política de Mao, a partir de sua morte e da ascensão do liberalizante Deng Xiao Ping, em 1976, mas preserva sua mística. Ainda que seja apenas como retrato nas paredes, no panteão e nas cédulas de Yuans.
A grandiosa festa, com desfile militar e apresentações artísticas, é coordenada pelo cineasta e cenógrafo Zhang Yimou, organizador das cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2008, que encantaram o mundo pela beleza e harmonia. A celebração coincide, por um ajuste de calendário que a tradição admite, com a popular Festa da Lua, reunindo num só evento a nova e a velha China. Além de desfiles e apresentações artísticas, não faltará a demonstração de força militar.
Mas o que os chineses estão celebrando mesmo é o triunfo do modelo que chamam de “socialismo com características chinesas”, produto da abertura económica implantada em 1976 e da manutenção do regime político, pondo fim aos turbulentos e revolucionários tempos de Mao.
A abertura ao capitalismo, atraindo empresas estrangeiras com mão de obra, custos sociais reduzidos e estabilidade política, propiciou à China o crescimento a taxas próximas dos 10% ao ano por mais de uma década, a acumulação das maiores reservas cambiais do mundo (US$ 2 trilhões, dez vezes mais do que as brasileiras), a construção de uma invejável infraestrutura urbana e produtiva e um aumento de 17 vezes na renda da população dos grandes centros urbanos.
A outra metade dos chineses que ainda vive no campo e no interior, entretanto, tem renda muita baixa e está longe da onda de consumo dos bem-sucedidos. Pode parecer estranho, mas os dirigentes comunistas de hoje dizem que o enriquecimento de uma parcela servirá de estímulo para os que ainda não chegaram lá. Esta é a lógica das sociedades liberais e, sem dúvida, a desigualdade social aprofundou-se.
Os países do Ocidente olham para a China com um misto de inveja e preocupação, reconhecendo o êxito econômico, mas reiterando duas críticas que parecem incomodar os chineses do governo. Uma é o modelo político que mantém o partido único, a limitação das liberdades e a imprensa estatal. Outra é o uso intensivo de recursos naturais e um modelo produtivo que rendeu à China o desonroso título de maior emissor de gases poluentes.
Empenhados em vender a ideia da Nova China e em mostrar que as coisas vão além das aparências, o serviço de informação do Conselho de Estado tem levado jornalistas estrangeiros ao país para ver de perto as mudanças, principalmente as relacionadas com a nova ênfase do crescimento económico que passa a ser voltado para o uso de tecnologias limpas e não para o consumo desenfreado de recursos naturais.
No início do mês de Outubro, lá estiveram jornalistas de seis países latino-americanos, numa viagem em que puderam ver, além de maravilhas como a Cidade Proibida e a famosa Muralha, a pujança da China desenvolvida das megalópoles Pequim e Xangai. Mas puderam ver também as carências das áreas mais atrasadas, na Província de Guishou, no sudoeste do país.
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Xangai: a famosa Torre de TV
da maior e mais moderna metrópole chinesa, que tem
quase 19 milhões
de habitantes |
Pequim: no Plano Nacional de Direitos Humanos,
há um capítulo
para as minorias, com políticas especiais nas quais se destacam
o direito
a ter até dois filhos (ficando a maioria Han condicionada
a ter
apenas um)
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