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das poesias

 

 

 

 
 

Abílio Manuel Guerra Junqueiro

Perspectivas de trabalho

“Tenho muita esperança e muita fé de que apareçam talentos que desenvolvam um trabalho na perspectiva de Óscar Ribas, o que, de facto, vai acontecendo. Se olharmos um bocadinho para a nossa paisagem de autores e escritores, poderemos ver alguns com esta perspectiva. Não gosto de falar de autores contemporâneos por razões óbvias. Sem dúvidas, há-os. Haverá na nossa paisagem alguns nomes que se dividem entre a história, a antropologia, o romance, a novela e a poesia.

Óscar Ribas é um autor que se completa na sua múltipla versatilidade e faceta. Como autor, temos que falar, no campo da literatura, do Uanga, um romance, a todos os títulos, clássico, com matriz própria. Na antropologia, ele está presente. Na etnografia, tem trabalho. Na linguística, igualmente. É autor de um dicionário de regionalismos, importante para perceber a língua e a origem das palavras. Por exemplo, “Temas da Vida Angolana e suas Incidências” é um ensaio diversificado, com incursões à linguística.

Óscar Ribas retoma o tema de Kapalandanda, por exemplo, numa abordagem diferente da minha. Na literatura, temos ainda o Tudo Isso Aconteceu.”

“Óscar Ribas era um investigador
e uma pessoa invulgar.
O facto de produzir a maior parte
da sua obra numa situação de invisual,
mostra bem o seu carácter
e a sua vontade férrea
de realizar os seus objectivos”
(António Fonseca)

A personalidade de Óscar Ribas

“Óscar Ribas era um investigador e uma pessoa invulgar. O facto de produzir a maior parte da sua obra numa situação de invisual, mostra bem o seu carácter e a sua vontade férrea de realizar os seus objectivos. Mas é preciso ver que, para que ele conseguisse realizar esse trabalho, há uma nota particular que deve ser realçada: a sua paixão pela cultura nacional. Só isso justifica tanta dedicação e empenho e a temática que ele aborda já na fase adulta.
Óscar Ribas, conhecendo bem a língua portuguesa, conhecia de igual modo o kimbundu. Teve a felicidade de poder socorrer-se de um grande apoio familiar, na transposição de textos ditados, de textos recolhidos, de textos gravados para a escrita. Depois aprendeu a linguagem Braille, num período importante em que escrevia pelas mãos dos irmãos e amigos que o ajudaram.”

Biografia de Óscar Ribas
extraída da Fotobiografia de Gabriel Baguet Jr:
Escritor, ficcionista, etnógrafo e poeta, Óscar Bento Ribas nasceu a 17 de Agosto de 1909, na cidade de Luanda. Filho de Arnaldo Gonçalves Ribas, natural da Guarda e Maria da Conceição Bento Faria, natural de Luanda, Óscar Ribas descobriu a sua vocação literária com apenas 18 anos de idade. Estudou no Seminário de Luanda e foi funcionário da Direcção de Serviços de Fazenda e Contabilidade.

O seu encontro com a literatura e a estreia com a publicação do livro de contos Nuvens que Passam, título publicado em 1927 na cidade de Benguela, e o Resgate de uma falta, publicado dois anos depois, marcam o seu encontro com a literatura e a etnografia.

Os dois livros anteriormente citados, abrem inequivocamente a sua paixão pela arte de escrever e também pela etnografia, área pela qual dedicou-se de forma muito singular, quer pela recolha da Literatura Oral Angolana, quer pelo estudo das diferentes religiões tradicionais de Angola.

Por outro lado, o plano de investigação que foi definindo o seu trabalho, possibilitou-lhe pertencer ao quadro de colaboradores do Instituto de Investigação Científica de Angola, instituição em cujas “memórias” foram publicados diversos trabalhos seus em prol da extraordinária diversidade da Cultura Angolana.

Óscar Ribas, além da produção literária a que foi habituando os seus leitores, colaborou em diversas revistas, nomeadamente em Cultura II e Mensagem, difundidas em Luanda e Colóquio publicada em Lisboa.

A sua obra foi traduzida para várias línguas, nomeadamente para alemão e inglês, estando representado em numerosas antologias como Christerscheint Am Kongo, editada na Suíça e traduzida na época pelo Doutor Peter Sulzer, onde se integra o conto “A Praga”. Este mesmo trabalho está igualmente integrado na antologia Tam Tam, publicada na Suíça e traduzida para a língua alemã.

Em Selection of African Prose, 2 coordenada pelo Professor W. H. Whiteley e editada pela Unesco, foi incluído um excerto do conto “A medalha”. Porém, o seu trabalho para além dos 16 títulos por si publicados, consta na antologia de “contistas angolanos” publicado pela Casa dos Estudantes do Império em Lisboa, em 1960. Em Poetas e Contistas Africanos, da autoria de J. Alves das Neves, publicado na cidade brasileira de São Paulo, há referências ao seu trabalho literário, como também no livro Literatura Africana de Expressão Portuguesa, pelo punho de Mário de Andrade, publicado em Argel, em 1968.

Se a literatura e a cultura de Angola foram o seu ponto de partida para um vasto e reconhecido trabalha, a docência também foi uma paixão de vida, como foram a sua condição de director de uma escola de invisuais em Luanda e professor de ensino especial.
Viveu os últimos anos da sua vida em Cascais, Portugal, cidade na qual foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural, e onde acabaria por falecer em 20 de Junho de 2004.

Excertos
Trazemos aqui um cheirinho da obra de Óscar Ribas como um convite à sua bibliografia que se estende por mais de 15 títulos. Apresentamos extractos dos dois contos referidos aqui.


Fotos: Eurobrape

 
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NOVEMBRO/DEZEMBRO 2009
 
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