| Balabina
O jornalista e escritor Angolano João Rosa Santos
lançou mais um romance na capital do país
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"Cansada e acabada de sair
da missa, Balabina torcia ardentemente o nariz para
que o Senhor ouvisse e atendesse as suas preces. Queria uma vida melhor, com menos problemas
e com mais requinte."
(in Balabina) |
Ele não é um homem que se dê, assim, de forma fácil. De poucas palavras, mas grande observador e perspicaz, João Rosa Santos já publicou crónica e poesia nos livros Quando o Coração Chora, Contornos da Vida, Que Mal Fizemos Nós, Croningolando, Preta Fula e Ndolo. Nascido em Maio de 1961 no Malanje, é jornalista de profissão e licenciado em Ciências Sociais, em Cuba.
Conjuga a actividade jornalística e literária, pelas quais faz parte da União dos Escritores Angolanos e da União dos Jornalistas Angolanos, com a função que ocupa na SONANGOL (petrolífera estatal Angolana) de director do Gabinete de Comunicação e Imagem.
Os livros de João Rosa Santos reflectem, de forma geral, a vivência dos Angolanos. Daí talvez a relação entre o jornalista e o escritor: o retrato da realidade que o circunda.
Balabina é a história de uma mulher sob o olhar do narrador, que ao leitor pode parecer uma pessoa a revisitar as memórias de uma história a que assistiu. Essa minha afirmação tem alguma conexão com a verdade da obra?
Não tanto assim. É apenas um exercício de ficção, rebuscando histórias, vivências do passado. O objectivo é alertar os mais novos para a preservação de bons hábitos e de bons costumes na vida. A moral e o civismo devem estar presentes, são valores que não devem ser nunca menosprezados.
Ainda a falar sobre a óptica do narrador, trata-se claramente de um homem, mas com delicada subtileza ao falar das emoções, desejos e perspectivas da personagem. Pessoalmente, tem algum interesse especial pela literatura que narra histórias de mulheres? Qual a conexão entre Balabina e as mulheres com as quais convive?
A mulher é o centro gerador da vida. Elas merecem todo o meu respeito, a minha admiração, o meu carinho. Eu gosto de escrever coisas belas e a mulher é o que a terra tem de mais belo. Por isso Balabina é uma história, onde, quiçá, muito boa gente se revê. Quem como eu vive por e com amor, certamente também tem a sua Balabina.
O livro é permeado por muita sensualidade e as ilustrações corroboram directamente para salientar este dado. Como foi feita a escolha ou a partir de que premissas foram definidas as ilustrações e a capa?
Este é trabalho do meu amigo Lito Silva. Ele é um Grande cartunista Angolano com quem tenho um pacto. Em todas minhas obras ele faz as ilustrações. Acredito que isso dá mais vida as minhas obras. E eu escrevo para que as pessoas se sintam mais vivas.
Balabina é seu sétimo livro publicado. Há algum projecto no prelo?
Para mim escrever é viver. Gosto de escrever todos os dias. É o que mais gosto de fazer na vida. Neste momento estou a terminar duas obras. Uma sobre Comunicação Empresarial e, a outra, mais um livro com várias histórias do quotidiano das diurnas e dos pachecos.
Cada vez mais fala-se em lusofonia, as relações entre os países de língua portuguesa são cada vez mais intensas e as trocas e cooperação tendem sempre a aumentar. Pretende publicar Balabina em outro país além de Angola?
Estamos a trabalhar neste sentido. A Aldeia literária é cada vez mais Global. Afinal, sonhar não é proibido.
O crescimento e o actual nível de desenvolvimento sócioeconómico de Angola reflecte-se directamente na produção cultural do país? De outro lado, é possível dizer que a produção cultural tem demonstrado o mesmo vigor visto nas áreas socioeconómicas?
Acredito que estamos no bom caminho, apesar de se evoluir lentamente. A união dos Escritores Angolanos e outros agentes culturais têm feito um trabalho de louvar e estou em crer que o futuro das letras em Angola está salvaguardado.
"Desceu do machimbombo e de um só salto atirou-se
para os braços da mãe. Parecia acabada de sair do inferno. Beijou-a repentinamente e, tanto uma como a outra,
não conseguiam conter as lágrimas."
(in Balabina) |