
"Devagar, chegaremos à melhoria significativa
da qualidade da formação e do ensino em Angola"
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Foco na educação
e no desenvolvimento
sustentável de Angola
O Grupo Aldeia contribui
para a formação de
profissionais angolanos,
com o objectivo
de tornar o país menos dependente
de
mão-de-obra externa
O Grupo Aldeia foi responsável pela reforma e modernização de várias instituições angolanas, tais como o Ministério da Educação, a Angop e o Jornal de Angola.
Apesar de ter recebido propostas para actuar em outros países, é em Angola que o Grupo Aldeia pretende ampliar seu foco, segundo o Presidente da empresa, Raimundo Lima, em entrevista concedida à Revista LUSOFONIA.
O que é o Grupo Aldeia e qual seu objecto social?
É um grupo empresarial de direito angolano que actua em diversas áreas, tais como Educação, Comunicação e Produção Cultural. O grupo actua através de duas empresas, em diferentes áreas, dá consultoria ao Ministério da Educação, através do programa de alfabetização e aceleração escolar, o PAI.
Qual é o objectivo do PAI?
O PAI visa acelerar o combate ao analfabetismo e reduzir o atraso escolar. Temos feito uma série de actividades de formação de professores, com um método próprio baseado na psicogénese, que permite alfabetizar as pessoas em menos de quatro ou três meses, ou até mesmo em duas semanas, para que elas possam escrever uma pequena carta, que é a forma de confirmação do aprendizado.
Existe uma campanha institucional que visa fazer com que a população se envolva mais no combate ao analfabetismo. Consideramos que a Educação é um factor básico para o desenvolvimento sustentável e que Angola está a crescer deste ponto de vista. Então, tem de ter quadros qualificados e competentes para atender a própria demanda do crescimento económico. Assim, não é necessário depender da vinda de profissionais especializados.
A direcção do Grupo Aldeia só é constituída por brasileiros?
O Grupo Aldeia tem a sua direcção formada por brasileiros e angolanos.
O Grupo Aldeia começou no Brasil?
Não. Actuamos aqui porque tivemos relações inicialmente como consultores. Eu era professor universitário e director de empresas jornalísticas no Brasil e fui convidado para trabalhar na coordenação do projecto de reforma do Jornal de Angola e da Angop. Já trabalhamos em vários órgãos, demos apoio ao Jornal dos Desportos, fizemos palestras para a Angop e para o Ministério da Comunicação Social.
O que vos fez criar este grande grupo de direito angolano?
Primeiro, ninguém pode esquecer que é um país de grandes oportunidades e que tem muita coisa por se fazer, e, segundo, porque achamos que podemos contribuir efectivamente para o desenvolvimento do país de maneira sustentada, um desenvolvimento qualitativo com nossos programas de apoio à Educação.
Os vossos funcionários são maioritariamente brasileiros?
Não. Já trouxemos cerca de 105 profissionais de nível superior, pouco mais de 80 porcento com Pós-Graduação. Temos também 175 angolanos a trabalhar conosco. Nossa preocupação não é apenas com a qualidade dos serviços que prestamos directamente em Angola, mas também com a melhoria dos profissionais angolanos.
Têm dado algum tipo de formação aos vossos funcionários?
Sim. Há reciclagens dos profissionais brasileiros, através de seminários, encontros e diversas actividades. Por exemplo, os motoristas do Grupo Aldeia estão a ter um treino de 56 horas nas mais diversas áreas: técnica, de informação, psicológica, educacional, de higiene e de saúde.
Esses cursos de formação são dados apenas por brasileiros?
Não há profissionais para desenvolver essas actividades de formação de novos professores Estamos a trazer mais de uma centena de novos professores com especialização em diversas áreas, para contribuir com o crescimento económico e social de Angola. Buscamos, sobretudo, uma vida melhor para os angolanos, apoiando as iniciativas do governo. Devagar, chegaremos à melhoria significativa da qualidade da formação e do ensino em Angola.
Para além da Educação, em que outras áreas mais investem?
Inicialmente, trabalhamos através da Ímpar Comunicação, na área de Comunicação Social, com serviço integrado de Multimédia, que implantou cinco clippings diários, direccionados a unidades do governo, com informações, sobre o que se fala de Angola em jornais, rádios e Internet. É um serviço muito útil para os governantes buscarem e anteciparem seus problemas.
Nós fazemos cursos de consultoria de comunicação institucional. Trabalhamos com a Ginga Produções, na produção de vídeos e CDs, que acabou de lançar um CD do Filipe Mukenga, com a produtora do Zeca Balero, a Saravá.
Criamos recentemente a “Quality Cultural”, uma empresa voltada para promover actividades culturais diversas, sobretudo aqui dentro do país, que visa promover a cultura angolana no exterior.
Para além de Angola e do Brasil o Grupo Aldeia está presente noutros países?
Não. O Grupo Aldeia concentra o seu foco em Angola. Já tivemos alguns convites e propostas para outros países, inclusive africanos, como Moçambique, por exemplo.
Por que não aceitaram estas propostas?
Porque nós queremos muito ampliar o nosso foco, mas não para já. Queremos tentar fazer uma coisa de cada vez, com mais qualidade. O que temos feito é ter uma diversificação das nossas áreas só aqui em Angola.
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