Têm parceiros? Quem são?
Estamos a buscar investidores locais para esses empreendimentos que temos desenvolvido. Temos trabalhado com a UNICEF, em estudos sobre o género da educação e outro sobre as escolas amigas da criança. Temos recebido propostas de parceria nas diversas áreas com investidores estrangeiros, que acreditam na nossa seriedade, dedicação, empenho de contribuir para a reconstrução de Angola.
Quais foram os melhores momentos e investimentos desde a criação do grupo até hoje?
Devido à crise económica e financeira mundial, fomos obrigados a retardar os pagamentos e tentamos fazer de tudo para não deixar de pagar em dia nossos funcionários e fornecedores. Tivemos de enfrentar uma série de dificuldades mas, felizmente, superamos bem. Não devemos a ninguém, estamos a cumprir com os nossos compromissos. Isso é o que é mais importante e acho que não buscamos grandes lucros. Queremos que, mesmo lucrando menos, possamos fazer um trabalho bom, que nos garanta por muito tempo aqui em Angola.
Possuem alguma proposta futura do governo angolano?
Sabemos que a hotelaria é um ramo em que se ganha muito bem. Existem algumas propostas e pensamos que, enquanto tivermos condições, também trabalharemos nesta área.
Podemos concluir que têm dado uma grande contribuição na melhoria da vida dos angolanos?
Sim. Essa é uma filosofia nossa e temos convicção disto com este projecto de alfabetização. Eu sou o autor da letra e da música do programa de alfabetização. Não é por acaso que eu escrevi ‘quem não sabe ler, mal fala, mal ouve mal vê, se você não sabe escrever um outro age por você’. Isto quer dizer que aqueles que aprendem a ler e a escrever deixam de ser marginalizados socialmente.
Temos dado um bom contributo para a sociedade, com o programa da alfabetização e aceleração escolar, dirigido pela Directora Nacional do Ensino Geral, doutora Luísa Grilo, e também com o programa do ensino técnico dirigido pelo doutor António Nascimento. O ensino técnico é muito útil para a formação de profissionais que venham a contribuir para reduzir os custos do crescimento económico e social de Angola, para aumentar as possibilidades de emprego dos angolanos e para reduzir a dependência externa nessa área de contratação de profissionais por parte do país.
O que têm feito no campo da Responsabilidade Social?
Temos feito doações para os deslocados de guerra, para os que estão sedeados em Viana e para as vítimas da lepra. Contribuímos periodicamente para diminuir essa dificuldade dos leprosos, em Angola. Temos dado doações em orfanatos e outras contribuições que não são de grande valor financeiro mas, com certeza, para as pessoas beneficiadas, são muito importantes.
Tem uma ideia de quantas pessoas já beneficiaram dos projectos do Grande Aldeia nas diversas áreas?
Não. Quando você faz consultoria, por exemplo, para alfabetização, são formadas cerca de 250 pessoas, para serem professores. São dezenas de milhares de pessoas que são beneficiadas indirectamente pelo trabalho que os nossos consultores realizam.
As empresas e ministérios já beneficiaram dos vossos serviços. Estão satisfeitos ou pretendem atingir outros?
Não. Sentimo-nos satisfeitos como empresários por participar do desenvolvimento nacional, por contribuir para a formação de mais angolanos na nossa empresa, implementando uma nova cultura empresarial. Temos a preocupação de contribuir para o desenvolvimento angolano, mas sem ter uma actuação que desrespeite a cultura local, trabalhamos o máximo possível para integrar a cultura do Brasil com a de Angola, sempre respeitando o que há de tradição, cultura e história de Angola.
Têm cumprido com a missão da criação do grupo?
Acreditamos que, pelo menos com os resultados obtidos até agora, não tanto no ponto de vista financeiro, mas sobretudo do ponto de vista político, social e económico, o nosso retorno tem sido mais nestas áreas e o nosso reconhecimento por parte do povo angolano.
Para terminar…
Do ponto de vista da comunicação, temos dado o nosso contributo. Sabemos que outros angolanos e brasileiros também têm dado a sua contribuição, não só para o desenvolvimento da comunicação interna, mas também para divulgar no exterior as informações sobre Angola, que é o caso da Revista Lusofonia, que tem levado para o exterior as boas informações de Angola. Isso é uma forma muito boa.
Por Anselmina Bamba
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