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Óscar Ribas



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Há muitas versões de músicas gravadas por cantores Angolanos de fases anteriores por jovens cantores. O que acha disso?
Se falarmos em termos de qualidade, algumas até superam, com todo o respeito que tenho pelos nossos ‘cotas’ (mais velhos. N.E.). Muitas das versões que nós fazemos das músicas que marcaram épocas têm mais qualidade que as originais e perpetuam o nome do artista que a criou. Infelizmente, nem todos os cotas estão receptíveis a esta atitude que nós os jovens queremos tomar. Não são todos cotas que se mostram felizes por nós querermos perpetuar os seus nomes. Infelizmente, não são todos os cotas que se dedicam à passagem do testemunho. Fico feliz quando conseguimos acertar mas, desculpem-me dizer isso, muitas das vezes só desvalorizamos aquilo que já foi feito. Na maior parte das vezes, os jovens conseguem dar a volta por cima dando uma versão actualizada, sem descaracterizar a versão original, o que faz com mereçam o carinho dos mais velhos.

O que você acrescentou à música do Teta Lando chamada “Assobio Meu”?
Demos uma nova roupagem, levamos não tantos instrumentos. Fizemo-la um bocadinho mais acústica. Simplificamo-la um bocadinho mais e resultou.
É uma música que faz parte do álbum Eme Tchá, teve a produção do Paulo Flores e é uma das músicas mais queridas do meu primeiro disco. No segundo disco, voltei a socorrer-me de Alberto Teta Lando, muito embora ele não tivesse a oportunidade de ouvir a versão final mas consultei-o para que pudesse interpretar o “Kimbemba”. De facto, surtiu efeito positivo.

Colocamos violinos e chamamos o Luís Represas, cantor português, para interpretar comigo este tema. Há um trabalho de coros muito forte, com um conjunto de vozes para fortificar e dar um outro toque ao “Kimbemba”. Este clássico da música nacional está com uma roupagem totalmente diferente de tal forma que quando as pessoas ouvem-no dá nostalgia e saudade e nos remete à nossa Angola. Fico feliz por isso.

Nos musseques de antigamente, havia uma vivência em que as pessoas pediam sal aos vizinhos, pano de chão e, inclusivamente, roupa para ir à festa. Estes eram motivos que davam letras para grandes músicas. Nas suas vivências, há registo de uma situação que serviu para uma letra de música?
Hoje em dia os muros entre os vizinhos estão cada vez mais altos. Os contactos entre os vizinhos são cada vez mais escassos. Não me refiro muito às periferias mas nos centros das grandes cidades já não se verificam estes contactos. Muitas das vezes, fechamos a porta da nossa casa. Vivemos ao lado do nosso vizinho sem sabermos quem é ele. Colocamos o carro na garagem, entramos para a nossa casa e fechamo-nos no nosso mundo.

Todo grande compositor é marcado pela vivência do seu povo, positiva ou negativa. Mesmo o muro alto que nos divide cada vez mais também é motivo para a música. A mediocridade e a pobreza de espírito que muitas das vezes se apossam da nossa juventude dão para música.

A exemplo, “Fofoca” é uma música em que tive a ousadia de criticar as senhoras porque há quem diga que eu apenas critico os homens. “Fofoca” é uma crítica às senhoras que levam uma vida fútil, a falar mal dos outros, sem estudarem e a dedicarem-se à farra e à boa vida.

Quando elas quiserem assentar, como se diz popularmente, não vão conseguir por terem se dedicado a uma vida muito fútil e mais ninguém as vai querer por perto. Esta é uma das nossas vivências retratadas no nosso disco. Todo grande compositor tem no seu meio social a inspiração para o sucesso daquilo que faz.

Quem é o maior cantor Angolano?
Não seria justo responder a essa pergunta porque dar a classificação do melhor ou do maior não é coerente. Há bons artistas a quem tenho o prazer de apontar o dedo e dizer que são muito, muito bons.

Como vê a cidade de Luanda?
É a minha cidade. É a cidade que me viu nascer. É a cidade que vai crescendo assustadoramente. Hoje dormimos. Amanhã acordamos com um prédio enorme à nossa frente.

Possui uma grife de roupas com o seu nome. Como anda o negócio?
De facto, tenho uma outra veia que muito recentemente descobri, a ideia de criar um espaço onde as pessoas pudessem ter acesso a tudo aquilo que eu gosto de vestir. Eu me apresento, normalmente, vestida de forma africana. Surgiu então este espaço para que as pessoas entrassem em contacto com a minha forma de vestir. As pessoas que gostam da minha forma de vestir têm agora a Pati’s Greef.

As pessoas perguntavam onde eu ia buscar a minha roupa. Eu pedia aos estilistas que fizessem aquilo que eu gostava. Então por que não criar este espaço onde as pessoas têm acesso à minha discografia e a tudo que diga respeito à minha pessoa? Aqui temos acessórios, pastas e tudo o que tem relação comigo.

Esta é uma forma de rentabilizar a fama que temos. A fama como tal não nos dá dinheiro. É necessário saber aproveitar a fama para buscar outras fontes de rendimentos.

* Da Bumbar Media

 
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NOVEMBRO/DEZEMBRO 2009
 
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