Desafios do século
Número de infecções pelo HIV em todo
o mundo cai 17%
em oito anos
O número de infecções pelo vírus HIV (SIDA) em todo o mundo teve queda de 17% nos últimos oito anos, segundo o Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). As estimativas indicam que 33,4 milhões de pessoas vivem com o HIV. Desse total, 2,7 milhões foram infectados em 2008. No ano passado, 2 milhões de pessoas morreram em consequência da aids.
O Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009 revela que, do total de infectados, 31,1 milhões são adultos, sendo que as mulheres representam mais da metade (15,7 milhões) dos soropositivos.
Crianças e adolescentes com menos de 15 anos somam 2,1 milhões de infectados. Em 2008, 430 mil pessoas nessa faixa etária foram contaminadas e o número de mortes de crianças e adolescentes em consequência da doença chegou a 280 mil. Segundo o Unaids, a maioria dos casos de infecção nesse grupo ocorre ainda no útero da mãe, no momento do parto ou logo após o nascimento, por meio da amamentação.
O tratamento antirretroviral de mulheres soropositivas, de acordo com o relatório, repercutiu de maneira importante na prevenção de novas contaminações de mãe para filho. Desde 2001, foram evitadas cerca de 200 mil infecções entre crianças.
Segundo o Unaids, o pico da aids foi registado em 1996, quando 3,5 milhões de pessoas foram infectadas em todo o mundo. Em um comparativo com os dados de 2008, a queda chega a 30%.
Muito a fazer ainda
Apesar de o Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009 indicar uma queda de 17% nas novas infecções pelo vírus, o coordenador do Unaids no Brasil, Pedro Chequer, avaliou que os dados ainda preocupam.
Durante o lançamento do documento, ele destacou uma espécie de novo perfil da aids, já que os picos de maior número de infectados e de maior número de mortes foram registados em 1996 e 2004. Os dados actuais revelam que o número de pessoas que vivem com a doença nunca foi tão grande e já soma 33,4 milhões de infectados.
“Há necessidade de uma reflexão profunda do ponto de vista de políticas públicas para que possamos enfrentar essa epidemia”, disse Chequer. Desde o início da epidemia, 60 milhões foram infectadas e 25 milhões já morreram em consequência da doença.
Actualmente, surgem mais de 7.400 novos casos por dia – mais de 97% deles em países de baixa ou média renda e 40% entre jovens maiores de 15 anos. Para Chequer, a população jovem tem se mostrado vulnerável ao HIV por conta da falta de informação e de acesso aos meios de prevenção.
Ele ressaltou que a vacina contra a transmissão vertical – quando o vírus é passado de mãe para filho durante a gestação, no momento do parto ou mesmo com o aleitamento materno – existe desde 1997, mas que não há uma demanda social forte. “Esse distanciamento em relação a um tema crónico tem dificultado e não há mobilização dos profissionais de saúde”, afirmou, ao lembrar que algumas gestantes ainda fazem o pré-natal sem passar pelo teste e sem tratamento para a aids.
“A comemoração ocorre com cautela. É preciso mais investimentos e trabalhar com cenários regionais para estabelecer parâmetros de prevenção e de diagnóstico”, disse.
Entre as prioridades para 2009, o Unaids destacou a prevenção da morte de mães e bebês infectados; a garantia de que pessoas que vivem com o vírus recebam tratamento; o combate às mortes de soropositivos provocadas pela tuberculose; o fim da violência contra mulheres e meninas; o empoderamento (tradução da palavra inglesa empowerment, que significa dar poderes de decisão, participação e autonomia a uma pessoa) de jovens para que se protejam contra a doença; e o fortalecimento de uma rede de proteção social para pessoas infectadas.
Paula Laboissière, repórter da Agência Brasil
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