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O Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad
em visita ao Brasil
Foto: José Cruz/Abr |
Interesses no continente americano
A 23 de Novembro, o Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad foi recebido no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com manifestações pró e contra a visita ao Brasil
Por Paula Laboissière *
O Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, foi recebido, ao chegar ao Palácio do Itamaraty, por cerca de 100 manifestantes. No grupo, havia activistas favoráveis e contrários à presença do líder iraniano no Brasil.
Entre os favoráveis estiveram os que criticam o chamado imperialismo norte-americano e apreciam os governos do venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales.
O grupo dos que são contra a visita foi formado por representantes da comunidade judaica, entre eles um sobrevivente do Holocausto (execução em massa de judeus e de outras minorias durante o nazismo).
O aposentado Ben Abraham passou por diversos campos de concentração durante um período de cinco anos e meio — incluindo o de Auschwitz, na Polónia. Abraham classificou as declarações de Ahmadinejad de “absurdas” — o iraniano nega a ocorrência do Holocausto. Segundo o judeu, alguns campos de concentração que ainda permanecem intactos servem de alerta para a humanidade.
“O Presidente do Irão, mesmo com sobreviventes do nazismo, como eu e outros, nega o Holocausto. O tempo está passando. Quando o nazismo começou, eu tinha 14 anos. Vou completar 85 anos. Enquanto houver sobreviventes do nazismo, está bom. Mas e depois? Como negar essas atrocidades?”, reagiu Abraham.
Durante as manifestações, o presidente da Juventude Judaica Organizada, Gilberto Ventura, afirmou que as críticas a Ahmadinejad não dizem respeito à visita em si, mas consistem em trazer ao povo e ao governo brasileiros a consciência de questionar o que ocorre no Irão e que tipo de valores o Presidente iraniano representa.
“A ideia não é chegar aqui e dizer ao (Presidente) Lula que não o receba. O recado é: Abra os olhos. Já houve momentos na história com pactos absurdos, como entre Stalin (Josef Stalin, líder da União Soviética de 1922 a 1953) e Hitler (Adolf Hitler, líder do Nacional-Socialismo alemão, de 1933 a 1945). No Brasil, o recebemos (Ahmadnejad) de braços abertos, mas é importante ouvir o outro lado. Existe uma falta de diálogo real, de conhecer quem é o outro de verdade”, afirmou Ventura.
O coordenador nacional do Movimento Democracia Directa, Acelino Ribeiro, levantou faixas de boas-vindas ao líder iraniano e disse que a visita deve ficar marcada na história de ambos os países. Ele se diz convencido de que Lula e Ahmadinejad vão discutir propostas que contribuam para um projecto de luta pela paz mundial.
“Ahmadinejad poderá construir esse projecto na defesa da soberania do povo iraniano e do povo latino-americano, principalmente no Brasil e na Bolívia, países que dispõem de recursos naturais cobiçados pelo imperialismo mas que podem melhorar a vida e as condições de nossos povos.”
Ribeiro mostrou-se favorável, inclusive, à visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irão – que deve ocorrer entre 10 e 16 de Março do próximo ano. Segundo ele, Lula e Ahmadinejad podem facilitar o caminho para que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negocie com o Irão o uso “pacífico” do programa de energia nuclear.
* Repórter da Agência Brasil
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PRÓ E CONTRA (acima) Iranianos se concentram em frente ao Itamaraty para apoiar a visita do Presidente (abaixo) Manifestantes protestam, em frente ao Congresso Nacional
Fotos Wilson Dias/Abr
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