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NELSON MANDELA

O país sede da Copa do Mundo de futebol 2010 comemorou, no passado 11 de Fevereiro 20 anos da libertação de um dos maiores líderes da luta contra o apartheid e um dos grandes nomes da história de todos os tempos


Traição, sabotagem e conspiração contra o governo: motivos alegados pelo regime separatista apartheid, em vigor na África do Sul oficialmente entre os anos de 1948 a 1990, que levaram Nelson Rolihlahla Mandela à condenação à prisão perpétua. Por 27 anos, Mandela lutou contra o regime atrás das grades das cadeias do movimento separatista branco até que, a 11 de Fevereiro de 1990, foi libertado da prisão, aos 71 anos de idade, e conduzido pelo pleito popular, entre os anos de 1994 a 1999, à Presidência da África do Sul.

Nascido a 18 de Julho de 1918, o advogado, ex-líder rebelde e ex-Presidente da África do Sul foi o principal representante do movimento anti-apartheid. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu no pequeno vilarejo de Qunu, distrito de Umtata, na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês ‘Nelson’. Seu pai morreu logo depois, e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

O jovem Nelson Rolihlahla Mandela, em 1960: “A prisão não só rouba a pessoa da liberdade, como procura tirar-lhe a identidade”

Ainda como estudante de direito, Nelson Mandela envolveu-se na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (a esmagadora maioria da população) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1947, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo (entre outros) uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do CNA/ANC.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos africânderes do Partido Nacional, apoiantes da política de segregação racial, Mandela tornou-se ativo no CNA (ou ANC, seguindo a sigla em inglês), tomando parte do Congresso do Povo (1975) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa anti-apartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville (de 21 de Março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180.



Em 1961 tornou-se comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe (“Lança da Nação”, ou MK), fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo, fazendo também planos para uma possível guerrilha se a sabotagem falhasse em acabar com o apartheid; também viajou em coleta de fundos para o MK, e criou condições para um treinamento e atuação paramilitar do grupo.

Em Agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso e sentenciado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 2 de Junho de 1967 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua (apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planejar ações armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos 26 anos seguintes, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor “Libertem Nelson Mandela” se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos anti-apartheid ao redor do mundo.
Recusando trocar uma liberdade condicional pela recusa em cessar o incentivo à luta armada (Fevereiro de 1985), Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de Fevereiro, por ordem do Presidente Frederik Willem de Klerk. O CNA também foi tirado da ilegalidade.

 
 
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MAIO/JUNHO 2010
 
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