O sonho
Ópera de Fernando Pessoa do compositor português
Pedro Amaral estreou em Londres
|
Sonhos dentro de O sonho é como o compositor Pedro Amaral define a ópera que compôs para o texto dramático O sonho, de Fernando Pessoa
|
Sonhos dentro de O sonho é como o compositor Pedro Amaral define a ópera que compôs para o texto dramático O sonho de Fernando Pessoa, que estreou no dia 25 de Abril no Robin Howard Dance Theatre, em Londres, Inglaterra.
Esta ópera “são sonhos dentro do texto ‘O sonho’ já que Pessoa sonha esta Salomé que é uma sonhadora e que, por sua vez, sonha S. João Baptista que sonha ele próprio e Deus”, refere o compositor em entrevista à agência Lusa.
Uma ópera que tem um encadeamento “pouco ortodoxo”, já que a primeira parte é constituída a partir de um monólogo de 12 minutos, o que é muito tempo para ópera, disse o compositor à agência Lusa.
“Eu sabia que ia partir de um texto desequilibrado, mas esse desequilíbrio ao mesmo tempo é fascinante porque temos uma personagem em palco que vai falando dela própria, começa a sonhar e é a partir desse sonho que nasce o espetáculo”, acrescentou Pedro Amaral que tanto na récita de Londres como na de Lisboa, no dia 3 de Maio, na Fundação Gulbenkian, vai dirigir a London Sinfonietta.
Para Pedro Amaral, que compõe a sua primeira ópera, “O sonho de Fernando Pessoa funciona quase como um jogo de espelhos no qual o poeta reflete a sua própria imagem à semelhança da sua cabeça que, tal como a de S. João Baptista, é uma cabeça sem corpo”.
E tanto assim é que Salomé pretende que a cabeça de S. João Baptista seja a cabeça de um santo que cria deuses e não a cabeça de um bandido como o é na realidade, sustentou.
|
 |
|