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Berço da Humanidade

Nova etapa da evolução humana desvendada pelo hominídeo
encontrado na África do Sul

Dois esqueletos parciais de uma nova espécie de hominídeos, denominados
Australopithecus sediba, encontrados em “condições de conservação notáveis” e datados
de entre 1,78 a 1,95 milhões de anos, foram descobertos na África do Sul por investigadores
da Universidade de Witwatersrand de Joanesburgo
Fotos: Lusa

Dois esqueletos parciais fossilizados de uma espécie de hominídeo, com quase dois milhões de anos, foram descobertos na África do Sul no início de Abril, levantando o véu sobre uma nova etapa da evolução humana, segundo trabalhados divulgados pela revista americana Science.

Os novos fósseis foram encontrados nas cavernas Malapa, no local conhecido como “Berço da Humanidade”, um patrimônio histórico mundial a cerca de 40 quilômetros de Johanesburgo.

Esse hominídeo foi baptizado de Australopithecus sediba. Dois espécimes - uma mulher adulta e um homem - foram encontrados numa caverna, perto um do outro e muito bem conservados.

Segundo os pesquisadores, ambos caminhavam erguidos e compartilhavam vários traços das primeiras espécies conhecidas, o que poderá ajudar a responder a alguns questionamentos científicos. A espécie tinha braços longos, como macacos, mãos curtas e fortes, pélvis muito avançada e pernas longas, capazes de caminharem e possivelmente correrem como humanos, disseram os pesquisadores.

Eles estimam que ambos os hominídeos tivessem cerca de 1,27 metro, embora o macho pudesse ter crescido mais, caso houvesse sobrevivido até a idade adulta.
O tamanho do cérebro do espécime mais jovem provavelmente era de 420 a 450 centímetros cúbicos, o que é pequeno em comparação aos 1.200-1.600 centímetros cúbicos do cérebro humano, disseram eles.

Esses dois fósseis têm 1,95 a 1,78 milhão de anos e a estrutura do seu esqueleto é similar à das primeiras espécies Homo, como a famosa “Lucy”, de 3,2 milhões de anos e durante muito tempo considerada o ancestral comum da humanidade até a descoberta
de “Ardi” (Ardipithecus ramidus), de 4,4 milhões de anos.

Os dois novos fósseis sul-africanos são um hominídeo surgido um milhão de anos depois de Lucy.As suas características mostram que a transição entre os primeiros hominídeos e o género Homo aconteceu muito lentamente.

“Não é possível estabelecer de forma precisa a posição filogenética - relações de parentesco - do Sediba em relação às diferentes espécies, desde o início do género Homo”, explicou Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, principal autor do estudo.

“Podemos, no entanto, concluir que esta nova espécie compartilha mais traços com os primeiros hominídeos do que qualquer outro Australopithecus”, acrescentou.
A participar da entrevista coletiva que deu a conhecer a descoberta, o vice-presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, disse: “Como qualquer pai sabe, uma das perguntas mais comuns que uma criança faz é ‘De onde viemos?’. Ficou claro que a resposta é ‘África’”.

 
 
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MAIO/JUNHO 2010
 
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