Apoio de Angola
De visita a Luanda, o Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, disse que sua estada resultou no reforço das relações históricas de amizade e cooperação que existe entre os dois estados.
O contexto sócio-político atual guineense inspira muita atenção por parte do governo e Angola surge como uma Nação que pode apoiar os desafios que se têm pela frente
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José Eduardo do Santos dá as boas vindas ao seu homólogo, Malam Bacai Sanhá
Foto: Bruno Fonseca/Lusa |
O Chefe de Estado guineense falava à imprensa no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, momentos antes de deixar Luanda com destino ao seu país, terminando a visita de trabalho de dois dias que efetuou a Angola, durante os dias 7 e 8 de Abril.
Malam Bacai Sanhá disse ter solicitado ao seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, apoio das Forças Armadas Angolanas (FAA) para a formação e capacitação das Forças Armadas Guineenses. “Nós precisamos que Angola nos ajude a formar as nossas tropas, temos homens, mas é necessário formá-los, não só militarmente, mas sim politicamente, e Angola tem muita experiência neste aspecto”, disse.
Acrescentou não terem sido agendadas datas para o início dos cursos referindo que “começarão tão logo quanto possível”. O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, manteve um encontro em privado com o Presidente da República da Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá.
Durante a audiência, Sanhá explicou a situação prevalecente na Guiné-Bissau, após os tumultos registados em seu país uma semana antes da visita, tendo dado conta do retorno à normalidade, com o regresso dos militares aos quartéis.
O antigo chefe de Estado-Maior da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto, e o actual vice-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, major-general António Indjai, protagonizaram no dia 1 de Abril uma intervenção militar, que conduziu à detenção do Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, e do CEMGFA, tenente-general Zamora Induta. O ocorrido faz parte de todo um contexto que vem se desenrolando há anos e que já registou vários ápices, como o bárbaro assassinato do antigo Presidente da República, Nino Vieira, e de Tagma na Waye que ocupava o cargo de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
Na semana anterior à viagem de Sanhá a Angola, os militares guineenses voltaram a sair dos quartéis para impor a sua vontade aos políticos. Detiveram o Primeiro-Ministro Gomes Júnior, destituíram Zamora Induta do cargo de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e libertaram o antigo chefe da marinha, Bubo na Tchuto, que agora surge formalmente acusado pelos Estados Unidos da América como estando ligado ao narcotráfico internacional.
Imobilizado, Malam Bacai Sanhá assistiu a tudo, sem reação uma vez que também estava preocupado com a sua própria integridade física. Ora, uma vez isso é um fato, significa que o Governo de Sanhá está enfraquecido, quase nulo. Só assim se pode explicar que os revoltosos lhe tenham imposto a saída de Zamora Induta, a ele que é o comandante em chefe das forças armadas.
Segundo as próprias declarações de Malam Bacai Sanhá, a deslocação a Luanda a fim de encontrar o Presidente José Eduardo dos Santos teve o claro propósito de buscar conselho e apoio. Bacai Sanhá foi transmitir ao Presidente angolano a situação no seu país. Angola emerge assim, uma vez mais, como um país importante para ajudar a resolver problemas no continente africano.
FMI e Guiné
A crise político-militar na Guiné-Bissau levou a administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) a adiar a aprovação de um programa de apoio financeiro ao país, um passo para obter um perdão da dívida externa. “A reunião da administração executiva planeada para sexta-feira (2 de Abril) será remarcada para mais tarde, face aos acontecimentos de hoje em Bissau”, disse à Lusa fonte do FMI em Washington, no dia 1 de Abril.
Durante uma missão a Bissau, em Janeiro, o FMI aplaudiu o desempenho macroeconómico da Guiné-Bissau e os esforços do governo no ano passado e anunciou um acordo preliminar de financiamento, destinado a apoiar o programa do executivo nos próximos três anos.
No âmbito do programa, o governo prevê reformas na administração pública, na defesa e na segurança e um estímulo à atividade empresarial. Segundo a mesma fonte do FMI, um bom desempenho ao abrigo do programa de apoio, designado como ECF, é uma condição para atingir o chamado “ponto de conclusão” da iniciativa HIPC (sigla inglesa para países pobres e altamente endividados).
“Uma decisão favorável sobre o ECF seria um passo para o alívio da dívida, pois os países candidatos HIPC têm de ter um bom historial de desempenho em programas do FMI ou do Banco Mundial”, adiantou.
A dívida externa da Guiné-Bissau está calculada em mais de 1,5 mil milhões de dólares e desde 2001 que o país tem tentado, sem sucesso, cumprir com os critérios prévios para que possa ser incluído no grupo.
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Guineenses manifestam-se pela paz no seu país, a 11 de Abril, numa marcha efetuada entre Belém e a Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa
Manuel de Almeida/Lusa |
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