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Olavo Bilac


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Segurança nuclear

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, vem chamando a atenção dos líderes mundiais para que os países se unam na questão nuclear. Durante a cúpula de países em Washington, a 12 e 13 de Abril, Ban afirmou que o terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças globais atuais

Foto oficial com participantes da Cúpula de Segurança Nuclear

O governo de Barack Obama, idealizador e organizador da Cúpula de Segurança Nuclear, saiu com algumas conquistas e muitos mais desafios. Líderes de 47 países reuniram-se na capital norte-americana para um dos maiores eventos diplomáticos em solo americano desde a fundação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Pode-se assinalar como uma conquista da Cúpula o consenso alcançado de que é urgente aumentar a segurança do material nuclear armazenado em todo o mundo para evitar roubos de grupos terroristas e gangues criminosas. Na análise de Paul Stares, diretor do Centro para Ação Preventiva no Council on Foreign Relations, “a Cúpula injeta importante estímulo em relação à meta de promover a segurança de todos os materiais úteis de armas nucleares dentro de quatro anos, meta que o Presidente Barack Obama estabeleceu um ano antes em Praga. Além de suas declarações, cada Estado aceitou planos de implementação nacional específicos para tornar seus estoques de urânio altamente enriquecido ou plutônio separado menos vulneráveis a roubo e tráfico.”

De citar a boa notícia que durante a Cúpula países como a Ucrânia, Chile, México e Canadá já anunciaram que eliminarão seus estoques de urânio altamente enriquecido. Outro avanço estende-se ao papel da Agência Internacional de Energia Atômica e dois importantes acordos multilaterais, a Convenção Internacional para a Proteção de Materiais Nucleares e a Convenção para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, também fortalecidos com a Cúpula.

De outro lado, o governo de Teerão anunciou que o acordo selado na conferência em Washington não terá efeito sobre seu programa atômico. Também como derrota, a França não renunciou ao seu arsenal nuclear.

Êxitos e derrotas

A primeira vitória, por assim chamar, da Cúpula foi o anúncio da Ucrânia de que pretende desfazer-se até 2012 de todo seu urânio enriquecido. O Presidente Barack Obama saudou a iniciativa como “passo histórico”. Grande parte do material nuclear ucraniano, o suficiente para construir várias bombas atômicas, deverá ser retirada do país até o final do ano, disse o Presidente Viktor Yanukovich.

O Presidente Lula e o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, conversam durante a Cúpula de Segurança Nuclear
Ricardo Stuckert/PR

Já a França rejeita os planos norte-americanos de desarmamento. Segundo o Presidente Nicolas Sarkozy, seu país não pode prescindir de armas nucleares. Ele disse à emissora norte-americana CBS que a França já reduziu seu arsenal nuclear “em um terço”, para 300 ogivas.

“Se continuar reduzindo, posso colocar em xeque a segurança de meu país”, acrescentou. Semana antes da Cúpula, Estados Unidos e Rússia concordaram em diminuir, cada um, para 1.550 o número de ogivas prontas para uso.

Países não convidados para o encontro devido aos conflitos em torno de seus programas nucleares, Irão e a Coreia do Norte são motivos de muita preocupação para a comunidade internacional. O governo de Teerão sempre negou que estivesse construindo uma bomba nuclear. Mehmanparast ressaltou que, em vez de se fixar no Irão, a cúpula de Washington deveria se preocupar com o arsenal nuclear israelense e sua negativa ao Tratado de Proliferação Nuclear. Na opinião do iraniano, este é o principal obstáculo ao desarmamento.

O Brasil, por seu lado, continua cético em relação a sanções passíveis a países como Irão e Coreia. “A posição do Brasil é que se devem esgotar as negociações”, disse o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim. Sanções nunca surtiram efeito, afirmou.

 
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MAIO/JUNHO 2010
 
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