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Ao ritmo de Angola

As verdades paralelas do kuduro: Se Bem e Tony Amado, dois representantes do estilo musical angolano, defendem suas teorias sobre o género

Texto e imagens por Deusa Oliveira *

o panorama musical angolano sofreu uma mudança radical nos últimos 20 anos por obra do nascimento do estilo conhecido como ‘kuduro’, que trouxe um modo de estar diferente e até inicialmente entendido como marginal. O kuduro está enraizado na cultura moderna de Angola e coexiste com o semba e outros estilos mais antigos.

O novo estilo musical divide espaços com outros géneros, em festas, na divulgação radiofónica e televisiva, bem como em espetáculos e lançamentos de discos cujos anúncios preenchem uma significativa parte da comunicação social.

A música urbana angolana tem estado a diversificar-se ao nível dos seus atores a uma velocidade espantosa. Hoje temos inúmeros músicos que enveredam pelos mais variados géneros mas nota-se que há estilos predominantes como são os casos do semba e do kuduro, com a balança a pender mais para este último. Os praticantes deste novo estilo, os chamados kuduristas, dizem mesmo que pode haver festa sem semba mas nunca sem kuduro. “Isso deveu-se a uma explosão deste estilo de música”, justifica a apresentadora de televisão, Marlene Amaro, compositora, autora do CD O meu outro lado.

Graças a esta explosão, o kuduro é um dos principais símbolos da cultura angolana e um elemento de identidade reconhecido pelo mundo afora, segundo Tony Amado que diz ser o pai deste estilo musical. “Eu é que fiz os kuduristas. Há kuduristas no Senegal, em França, em todos cantos do mundo. O chinês que canta kuduro chama-se Tony Amado Chinês”, faz questão de assinalar com orgulho.

Histórias diferentes

A origem do kuduro é abordada de formas diferentes por Se Bem e Tony Amado, dois precursores deste estilo. Estes kuduristas tiveram vivências diferentes que se refletem nas suas visões sobre esta nova música angolana. Eles divergem nas opiniões sobre o kuduro enquanto dança, sobre a matriz cultural do estilo, a época do seu aparecimento e até mesmo no que cada um está a fazer atualmente para alimentar o kuduro.

Entretanto, ambos kuduristas aqui em referência têm um grande respeito pelo semba, o estilo antigo mais representativo da música angolana.

Se Bem foi para Portugal muito cedo para onde a mãe o enviou, na companhia de primos mais velhos. Em Portugal, como no resto da Europa, a juventude, nos anos 80 praticava breakdance, house, funk e outros estilos de dança vigorosos, em festas que duravam mais de um dia.

Se Bem, nome adotado por Esfilândio dos Santos pelo gozo que sentia ao ouvir portugueses a imitarem o calão dos angolanos, frequentava tais festas fora de Lisboa juntamente com portugueses e angolanos. Esses tempos viriam a marcar para sempre a vida de Se Bem, também chamado Tonico nas hostes dos seus familiares.

Por seu turno, Tony Amado teve uma forte vivência dentro da música e da dança patrimonial de Malanje. Absorveu o estilo tradicional e criou uma escola de dança e música modernas baseadas na tradição. “Nunca fui a uma escola de dança mas comecei a dar aulas de dança em Malanje, na Rádio Provincial”, recorda. Este momento da vida de Tony foi uma mais valia para a criação do kuduro.

 
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MAIO/JUNHO 2010
 
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